Carlos Millan

A contribuição de Carlos Barjas Millan (São Paulo, 1927-1964) foi decisiva para a consolidação do caráter da arquitetura moderna paulista.

Formado em 1951 pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie, já em 1952 montou com seus colegas Chen y Hwa; Jacob Ruchti, Miguel Forte, Plínio Croce e Roberto Aflalo, a loja Branco& Preto, um empreendimento pioneiro na produção de móveis modernos, que passam a integrar a maioria das casas modernas dos anos 1950. Em 1957 foi convidado a dar aulas na cadeira de composição arquitetônica na FAU/Mackenzie e em 1958 na FAU/USP.

Ainda estudante abriu seu próprio escritório, depois de um estágio com o arquiteto Rino Levi, com quem aprendeu o rigor do detalhamento. Seus primeiros projetos revelam afinidade com a arquitetura americana, de Frank Lloyd Wright à arquitetura da Califórnia, particularmente Richard Neutra: plantas funcionais, soluções estruturais simplificadas, amplas aberturas com clara preocupação de integração interior e exterior, soluções que prezam a horizontalidade e a valorização dos aspectos tectônicos. São projetos exaustivamente detalhados. A residência Fujiwara de 1954, por exemplo, tem 170 pranchas de projeto executivo.

As obras de Le Corbusier pós 1945, e a contenção dos projetos de Mies Van der Rohe despertaram o interesse de Millan para a exploração da racionalidade na busca da simplificação. O domínio que tinha da construção, em toda a sua complexidade, e a perseverança no detalhamento exaustivo lhe possibilitaram atingir soluções absolutamente sintéticas, nas quais nada falta e nada está em demasia, como comprovam as três residências, ainda hoje inalteradas: Roberto Millan (1960); Nadir Figueiredo (1960) e Antônio D’Elboux (1962).

Tal como sua arquitetura, de presença discreta, porém intensa, Millan teve efetiva participação nos rumos que a arquitetura paulista seguiu, sendo referência constante da sua singularidade. Reconhecidamente didático, entre os que com ele conviveram e os seus estudiosos, Millan deixou um legado – obras e desenhos – que constitui, mais do que um patrimônio arquitetônico, aulas de como se fazer arquitetura.

Mônica Junqueira de Camargo

Arquiteta, professora-doutora FAU/USP.